A transferência de Gerson para o Cruzeiro exigiu meses de negociações e diversas tratativas nos bastidores. O interesse do clube mineiro no volante surgiu ainda no ano anterior, quando o jogador já via com bons olhos a possibilidade de defender a equipe celeste em um eventual retorno ao futebol brasileiro.
O entendimento entre atleta e clube foi alcançado sem grandes dificuldades. Ficou acertado um contrato de longa duração, válido até dezembro de 2029, acompanhado de uma remuneração que colocou Gerson entre os jogadores de maior salário do elenco. O principal obstáculo, porém, estava na resistência do Zenit. Em um primeiro momento, os russos estipularam um preço próximo de 40 milhões de euros (R$ 251,5 milhões), cifra considerada elevada pelos dirigentes cruzeirenses.
Na tentativa de destravar a negociação, o Cruzeiro apresentou diferentes propostas. A primeira delas foi de 12 milhões de euros (R$ 75,5 milhões). Mais tarde, o clube repetiu a oferta financeira e adicionou o zagueiro Jonathan Jesus como parte do acordo. Apesar de o defensor ser bem avaliado pelo Zenit, as investidas não foram suficientes para convencer os russos.
Valores finais
Durante boa parte das conversas, as tratativas ficaram concentradas nos empresários Junior Mendonza e Carlos Meinberg Neto, que possuem bom relacionamento com a diretoria do Zenit. Depois de várias rodadas de discussões, o Cruzeiro apresentou uma proposta composta por 26 milhões de euros fixos e mais 4 milhões de euros em metas.
Quando o acordo parecia próximo de ser concluído, o Zenit definiu as condições finais da venda: 27 milhões de euros (R$ 169,8 milhões) garantidos e outros 3 milhões de euros (R$ 18,7 milhões) vinculados ao cumprimento de objetivos estabelecidos em contrato. Cada conquista relevante obtida durante a passagem de Gerson poderá gerar um pagamento adicional de 500 mil euros ao clube russo, até o teto de 3 milhões de euros.
Além disso, os intermediários envolvidos terão direito a uma comissão correspondente a 10% da parcela fixa da transferência. O valor, calculado em 2,7 milhões de euros (cerca de R$ 17 milhões), será repartido entre Marcão, pai e representante do jogador, Junior Mendonza, Carlos Meinberg Neto e André Cury.
Há ainda um detalhe relacionado à divisão dessas comissões. Uma parte dos recursos destinados a Marcão, estimada em aproximadamente 650 mil euros (R$ 4,2 milhões), será repassada a Carlos Leite, empresário que acompanhou a carreira de Gerson por vários anos e manteve participação nos acordos ligados ao atleta.



