Em meio a um processo de reequilíbrio financeiro, mas amparado por aportes relevantes da SAF comandada por Pedro Lourenço, o Cruzeiro mantém firme a estratégia de preservar a base do elenco que ganhou protagonismo no futebol brasileiro em 2025.
Com o crescimento esportivo do grupo, os jogadores passaram a despertar forte interesse no mercado, e, nesse contexto, a Raposa já recusou aproximadamente R$ 350 milhões em propostas ao longo de 2026 — montante superior à receita obtida pelo clube em 2024.
Entre o fim da última temporada e o início deste ano, o Zenit, da Rússia, procurou o Cruzeiro pelo zagueiro Jonathan Jesus. A diretoria celeste chegou a negar uma oferta de 8 milhões de euros (cerca de R$ 50 milhões à época).
Posteriormente, o defensor chegou a ser incluído nas conversas envolvendo a contratação do meia Gerson, mas o técnico Tite aprovou o rendimento do jogador nos treinamentos e pediu sua permanência. Ainda em dezembro, o Flamengo apresentou uma proposta de 30 milhões de euros (aproximadamente R$ 195 milhões na cotação daquele período) por Kaio Jorge.
O Cruzeiro recusou prontamente e fixou o valor de venda do atacante em 50 milhões de euros. O clube carioca insistiu, sem sucesso, e o jogador acabou renovando contrato com a Raposa até o fim de 2030, seguindo como esperança de gols para 2026.

Proposta vinda da Itália também foi recusada
Mais recentemente, o Borussia Dortmund, da Alemanha, demonstrou interesse no lateral-esquerdo Kauã Prates, enquanto o Como, da Itália, fez investidas por Kaiki. Segundo o jornalista Patrick Berger, o Cruzeiro não se animou com a proposta de 12 milhões de euros (R$ 75,5 milhões na cotação atual) por Kauã.
Já de acordo com Gianluca Di Marzio, a Raposa recusou uma oferta em torno de 9 milhões de euros (R$ 56,6 milhões) por Kaiki. As negociações envolvendo ambos seguem em andamento, mas até o momento sem nenhum desfecho concreto.
Em sentido oposto, o clube mineiro também foi agressivo no mercado. Para contratar Gerson junto ao Zenit, o Cruzeiro desembolsou cerca de 30 milhões de euros (R$ 188,2 milhões na época da assinatura). Já o atacante Chico da Costa custou aproximadamente R$ 5,5 milhões, pagos ao Cerro Porteño.
As chegadas do goleiro Matheus Cunha e do atacante Néiser Villareal não geraram custos de transferência, já que ambos haviam firmado pré-contratos anteriormente. O lateral-direito Fagner, por sua vez, rescindiu com o Corinthians para assinar em definitivo com a Raposa.
O volume de propostas recusadas supera, inclusive, a receita operacional líquida do Cruzeiro em 2024. De acordo com os demonstrativos financeiros divulgados em abril de 2025, o clube arrecadou R$ 282,713 milhões naquele exercício fiscal, sem considerar a venda de atletas, que foi contabilizada separadamente e girou em torno de R$ 40 milhões.
Caso tivesse aceitado todas as ofertas citadas, o Cruzeiro ultrapassaria, apenas com a venda de quatro jogadores e ainda no início do ano, a receita operacional líquida obtida em todo o ano de 2024. Os números referentes ao exercício de 2025 devem ser apresentados pelo clube em abril de 2026, o que justifica a comparação com o balanço anterior.



