Uma das maiores pedras no sapato de qualquer clube grande é a saúde financeira. E por ai são poucas as instituições que respiram aliviadas quando o assunto são os cofres. Um caso bem famoso de equipe que está com a “corda no pescoço” é o Atlético-MG. E se já não bastassem as dívidas ligadas ao futebol, agora o eterno rival do Cruzeiro vai ter que arcar com custos envolvendo um bloco de carnaval.
A Justiça Federal do Rio de Janeiro negou o pedido do Atlético-MG para anular o registro da marca “Galo Folia”, pertencente ao Clube das Máscaras O Galo da Madrugada, tradicional bloco carnavalesco de Pernambuco. A decisão foi proferida pela 9ª Vara Federal e concluiu que não há risco de confusão ou associação indevida entre as marcas, apesar de ambas utilizarem o termo “galo”, mascote do clube mineiro.
No processo, o Atlético alegava que o registro de “Galo Folia”, enquadrado na classe de serviços de entretenimento, violaria direitos anteriores do clube, que possui diversas marcas registradas com o termo “Galo” ligadas ao futebol. A Justiça, porém, aplicou o princípio da especialidade e entendeu que o futebol profissional e as manifestações culturais carnavalescas atuam em segmentos distintos.
O caso ganha ainda mais relevância diante do aumento expressivo de pedidos de registro de marca no Brasil. Apenas em 2024, o INPI recebeu cerca de 445 mil solicitações, crescimento superior a 10% em relação ao ano anterior, o que amplia a ocorrência de disputas envolvendo termos de uso comum, nomes de animais e expressões culturalmente difundidas.
Atlético se pronunciou após sofrer derrota na justiça
Após ser derrotado na Justiça, o Atlético-MG se manifestou oficialmente sobre o caso por meio de uma nota. Segundo o clube, o objetivo do processo era exclusivamente questionar o uso da marca “Galo Folia” em atividades relacionadas ao segmento esportivo, área na qual o Atlético possui diversos registros anteriores com o nome “Galo”.
Vale destacar, que com a derrota no processo, O Atlético-MG foi condenado a arcar com as custas processuais da ação judicial perdida contra o Galo da Madrugada, considerado o maior bloco de carnaval do mundo. Sem dúvida, algo que não contribui para a saúde dos cofres da instituição.
Atlético-MG terá que pagar os custos processuais da causa perdida para o Galo da Madrugada, o maior bloco de carnaval do mundo.
— Gols do Brasileirão ⚽️🇧🇷 (@golsdobrasil1) January 15, 2026
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Veja a nota emitida pelo Atlético-MG na íntegra:
O Atlético esclarece que a Ação Judicial em questão visa apenas anular o registro da marca “Galo Folia” em atividades que englobam o segmento esportivo, no qual possui diversos registros prévios da marca “Galo”.
O Clube respeita e reconhece a relevância das manifestações culturais e populares ligadas ao Carnaval, festa que faz parte da identidade e da alegria do povo brasileiro, bem como a tradição do Bloco Galo da Madrugada.
O Atlético possui mais de 300 registros da marca “Galo” e suas variantes junto ao INPI, sendo o clube brasileiro com o maior número de registro de marcas no País. O trabalho de proteção marcária é realizado permanentemente pelo Clube, que permanece atento sempre que um novo registro interfira em seu segmento de atuação.
Assim, o Atlético reafirma seu compromisso com a cultura, o diálogo institucional e a proteção responsável de suas marcas, em especial na esfera esportiva.
Nota oficial do Galo da Madrugada:
Recebemos a decisão com tranquilidade. A Justiça reconheceu a trajetória histórica do Galo da Madrugada, que há mais de 40 anos leva cultura e alegria às ruas do Recife.
Não vemos isso como uma disputa contra ninguém. Respeitamos o Atlético Mineiro e entendemos que são instituições de áreas diferentes: cultura e esporte.
O Galo segue fazendo o que sempre fez: promovendo carnaval, tradição e inclusão. Nosso compromisso é com o povo e com a cultura pernambucana.



