Fernando Diniz chegou ao Cruzeiro em setembro de 2024 cercado de expectativas, mas sua passagem pelo clube foi curta. O treinador permaneceu no cargo até o fim de janeiro de 2025, quando acabou demitido após comandar a equipe em apenas 20 partidas e registrar um aproveitamento considerado abaixo do esperado pela diretoria.
O principal momento de sua trajetória à frente da Raposa foi a campanha que levou o time à final da CONMEBOL Sul-Americana. No entanto, o sonho do título terminou com a derrota por 3 a 1 para o Racing na decisão, resultado que aumentou a pressão sobre o trabalho da comissão técnica.
Após sua saída, em entrevista ao Charla Podcast, Diniz voltou a criticar a alta rotatividade de treinadores no país. Na avaliação do técnico, a cultura de demissões rápidas está profundamente enraizada no futebol brasileiro, onde a cobrança por resultados imediatos frequentemente se sobrepõe ao desenvolvimento de projetos de médio e longo prazo.
Abre aspas
“As pessoas, no fundo, conversam com você, mas te ouvem pouco. No fundo o cara contrata e quer resultado, quase sempre resultado imediato. Às vezes muda de uma quarta-feira para outra, em dois jogos. No Cruzeiro aconteceu isso. Jogamos contra o Atlético-MG no sábado, jogamos bem, poderíamos ter vencido por uns 2 a 0. Viajamos, ganhamos de 1 a 0 do Tombense. E tivemos um jogo ruim contra o Athletic, que é um bom time. Já contaminou ambiente e de uma semana para outra teve desligamento
“É uma coisa impregnada no futebol, de resultado imediato. E não tem. Olha na Europa. O Guardiola não vai ser mandado embora. O Arteta ficou um ano e meio tomando porrada. Copiamos da Europa o que não deveria: muito conceito tático, porque treina lá 40 minutos e tem que treinar 40 minutos… E não olhamos para o que precisamos fazer aqui dentro.”
“É difícil um cara que faz mais coisas para ganhar do que eu. Mas você não pode achar que ganhar é a única coisa que tem. É um processo de aprender a ganhar. O Cruzeiro empatou muitos jogos, mas muitos poderia ter ganho. Não foi brilhante, não teve momento de brilhantismo. Em todos times que eu chego tem um momento assim: ganha cinco jogos seguidos, ganha de 6 a 0, o Fluminense ganhou de 10. No Cruzeiro não teve isso. O porquê eu não sei. Foi o único clube que aconteceu.”



