Em 2022, Ronaldo Fenômeno vivia praticamente um novo desafio a cada dia à frente do Cruzeiro. Em meio a um processo de reestruturação do clube, o ex-jogador precisou lidar tanto com questões administrativas quanto com urgências financeiras. Na segunda-feira, aguardou por longas horas a aprovação do conselho deliberativo; já na terça, seguia a corrida contra o tempo para resolver o transfer ban que impedia o clube de registrar novos atletas.
Mesmo sem ter assinado ainda o contrato definitivo de aquisição de 90% das ações da SAF, Ronaldo já havia iniciado aportes financeiros para garantir a sobrevivência do futebol celeste. As pendências ligadas ao transfer ban se aproximavam de R$ 40 milhões em dívidas acumuladas.
Naquele momento, os bloqueios imediatos giravam em torno de cerca de R$ 14 milhões. O clube tinha aproximadamente R$ 12,5 milhões a pagar ao Independiente del Valle, do Equador, referente à compra do zagueiro Kunty Caicedo, além de uma dívida próxima de R$ 1,5 milhão com o Atlético-AC pelo empréstimo do meia Careca.
Momento de Ronaldo
Diante desse cenário, Ronaldo trabalhava contra o relógio para regularizar a situação. O Cruzeiro tinha até o dia 12 de abril para conseguir registrar novos reforços para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro. Pelo menos cinco contratações já estavam encaminhadas e dependiam da liberação, entre elas o goleiro Gabriel Mesquita, o volante Neto Moura, o meia-atacante Leonardo Pais e os atacantes Rafa Silva e Rodolfo.
Ronaldo Fenômeno esteve à frente de 90% das ações da SAF do Cruzeiro entre dezembro de 2021 e abril de 2024. Ele assumiu o controle do clube em um cenário de grave crise financeira, com dívidas que se aproximavam de R$ 1 bilhão e a equipe disputando a Série B do Campeonato Brasileiro. A gestão foi conduzida por meio da empresa Tara Sports, com foco inicial na reorganização estrutural e na estabilização das finanças.
Durante sua administração, Ronaldo adotou uma política de reestruturação rigorosa, que incluiu renegociação de débitos antigos, redução da folha salarial e controle mais firme do fluxo de caixa. No campo esportivo, o principal resultado foi o título da Série B em 2022, que garantiu o retorno do Cruzeiro à elite do futebol brasileiro. Em 2024, o ex-jogador encerrou sua participação na SAF ao vender o controle acionário ao empresário Pedro Lourenço.



