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CBF não esperou um dia a mais e mandou técnico da Seleção Brasileira embora

leandro Por leandro
25/01/2026
Ganhou a Copa América com a Seleção Brasileira e agora assina para reforçar o Cruzeiro

Créditos: Instagram / cbffutebolfeminino

Ser técnico da Seleção Brasileira não é tarefa fácil, principalmente neste momento que “amarelinha” vive uma seca sem títulos de Copa do Mundo que já vai para 24 anos. Diante da situação e resultados não esperados, a CBF tomou a drástica decisão de mandar embora o comandante da equipe.

Ramon Menezes falou publicamente pela primeira vez após três meses de sua saída da CBF. Ao longo de uma década como treinador, passou três anos trabalhando diretamente na sede da entidade, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Agora, diz estar pronto para retornar ao mercado depois das experiências à frente das seleções brasileiras. Campeão de três torneios com o Brasil, Ramon fez um balanço do período, explicou eliminações marcantes e apontou caminhos para recolocar o país no topo do futebol mundial.

Ídolo do Vasco, o ex-jogador recebeu a equipe do Área Técnica, quadro do portal ge, para uma entrevista exclusiva de quase duas horas. Após a eliminação ainda na primeira fase do Mundial sub-20, Ramon Menezes foi desligado do comando da equipe no início de outubro de 2025.

Segundo ele, a possibilidade de saída após o torneio já era considerada, mas a forma como ocorreu o surpreendeu. O comunicado foi feito por telefone pelo diretor da CBF, Gustavo Feijó, a pedido do então presidente Samir Xaud.

“Encarei como o fim de um ciclo. Eu esperava, mas não dessa maneira. Imaginava ser chamado à CBF para uma conversa. Fui surpreendido ao receber a notícia por telefone, ainda mais tratando-se de seleção brasileira. Mesmo assim, sou grato a Deus todos os dias pela oportunidade de vestir a camisa da Seleção como atleta e treinador. Fui campeão sul-americano como jogador e bicampeão como técnico” — afirmou.

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Créditos: Instagram

Importância da Seleção como profissional

Apesar da saída, Ramon se diz agradecido pelo período entre 2022 e 2025, que considera fundamental para sua formação profissional. Ao todo, conquistou três títulos: o Sul-Americano sub-20 de 2023, vencido de forma invicta, que recolocou o Brasil no Mundial da categoria após oito anos; o ouro nos Jogos Pan-Americanos de 2023, encerrando um jejum de 36 anos; e o Sul-Americano sub-20 de 2025, marcado por uma grande reação após a goleada sofrida por 6 a 0 para a Argentina na estreia.

Sobre esse último título, Ramon destacou a capacidade de reconstrução da equipe ao longo do torneio, culminando na conquista após vitória decisiva sobre o Chile. Ainda assim, lamenta não ter conseguido levantar o troféu do Mundial sub-20.

“Foi um período que me deu muita bagagem e experiência. Trabalhei com grandes jogadores e vivi competições importantes. Meu grande sonho era ter sido campeão do mundo, mas isso não aconteceu. Ainda assim, saio melhor do que entrei. Foram 67 jogos oficiais: 45 vitórias, 8 empates e 14 derrotas” — ressaltou.

Ramon também apontou a falta de preparação como fator determinante para o desempenho irregular das equipes. Segundo ele, a redução de datas e de amistosos internacionais prejudicou o amadurecimento de algumas gerações, especialmente a de 2025, que chegou menos preparada em comparação à de 2023.

“A geração de 2007 é muito talentosa, mas teve apenas uma preparação, com um torneio internacional em Cascais. Muitos atletas chegaram ao Mundial praticamente sem rodagem” — explicou.

Ele destacou que, no início do trabalho, houve mais respaldo da CBF para organizar períodos de treinamento e amistosos, o que fez diferença no desempenho da geração campeã de 2023. Já em 2025, a maioria das preparações aconteceu apenas na Granja Comary, sem jogos contra adversários de nível semelhante ao encontrado nas competições oficiais.

Para Ramon, o título invicto do Sul-Americano de 2023 foi consequência direta desse maior entrosamento. No Mundial daquele ano, porém, o Brasil acabou eliminado nas quartas de final por Israel, resultado que ele atribui aos inúmeros desfalques defensivos por suspensão e lesão.

Ramon ainda relembrou sua passagem como técnico interino da seleção principal, em 2023, período em que conciliou o comando do sub-20 com a equipe principal enquanto a CBF negociava com Ancelotti.

“Foi um sonho. Trabalhar com alguns dos melhores jogadores do mundo é algo indescritível. Contra o Senegal, por exemplo, começamos muito bem, com uma jogada trabalhada que resultou no gol do Paquetá. Depois, o adversário cresceu e tomou conta do jogo. Foi um resultado inesperado” — concluiu.

Tags: Cruzeiro
leandro

leandro

Graduando em Jornalismo, apaixonado por esportes e sempre em busca da notícia.

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